Jampa, Jhonny People, João Pessoa – Diário de uma viajante.

Se eu tivesse ficado com os pés em cima do puff que havia na varanda do hotel, em frente àquele mar verde por boa parte do dia e tivesse ido a somente um dos três maravilhosos restaurantes que pude conhecer, já diria que o pernoite de 24 horas em João Pessoa foi uma deliciosa viagem.
Não obstante, além da orgia gastronômica que engravidou de abençoadas calorias a minha recém iniciada dieta, pude presenciar um pôr do sol que fazia todos os meus poros gritarem. E ao som de Bolero de Ravel.
Isso me fez pensar em todas as coisas que muitas vezes buscamos ao viajar para fora do país: Verdes mares, sol, gastronomia, momentos, visuais deslumbrantes. Tudo o que temos ao nosso alcance, em estruturas de dar pena.
A primeira parada foi no bar e restaurante Muxima, na praia da Penha, especializado em cozinha regional e de Angola. De frente para o mar, é possível comer uma corda de caranguejos com uma cerveja gelada com tranquilidade, caso sua visitação não coincida com a recepção de agências de turismos que promovem passeios de barco. São muitos, muitos turistas, com suas costas castigadas pelas marcas vermelhas de insolação, que chegam esfomeados dos seus momentos de deleite pelo litoral. Os pedidos deles são feitos com antecedência, o que não sobrecarrega tanto assim a cozinha. Porém, embora a boa vontade das garçonetes seja perceptível, você consegue sentir relances de desespero e sobrecarga. Um bom motivo para geração de empregos. Recomendo que você vá, especialmente se você for um turista queimado de sol oriundo de um maravilhoso passeio de barco.

Praia da Penha – Imagem retirada do Google imagens

A segunda parada foi para um almoço do tipo BB – Bom e Barato, na rua dos pescadores, nº5, Ponta do Seixas. O Peixarão é daqueles restaurantes pé na areia que chama por peixe frito só pela sua sugestiva localização (rua dos pescadores). Barcos de pesca, famílias domingueiras reunidas e imensas oliveiras compõem o visual. A propósito, estas árvores aqui são chamadas de oliveiras, mas são conhecidas na minha cidade por jamelão. Sim, daquele fruto travoso e gostoso que deixa a língua roxa (muito mais divertido do que aqueles chicletes cheios de corantes).Pedimos também peixe no côco, mas eu recomendo fortemente o peixe frito. E a batata frita, que é pedida a parte, também foi disputada no seu leito de morte.

Depois de tentativas frustradas de capturas dos frutos das oliveiras e do desejo ardente por uma imensa escada que nos permitisse pegar aqueles cachos mais ao topo, nos conformamos com as nossas limitações e pegamos o caminho de volta. De volta ao meu passado, para um reencontro com a primeira mulher que me pegou no colo, logo após meu nascimento.
O fantástico da minha profissão é poder rever pessoas que estão distantes, mas que fazem ou fizeram parte da minha história.

Depois dessa viagem pela minha infância, fomos ao tal pôr do sol. Quando se fala em pôr do sol, já se espera um incrível espetáculo da natureza. Mas não se espera encontrar por lá um saxofonista vestido de branco, em pé numa canoa, a tocar o Bolero de Ravel até o sol se deitar. É como se ele estivesse ali, todos os dias, num compromisso paternal de acalentar o sol com sua canção de ninar preferida. Jurandy do Sax é um artista popular sem grande notoriedade nacional, mas muitíssimo respeitado na Paraíba e fora do Brasil. Foi incluído no Livro dos Recordes (Guinnes Book) como o músico que mais executou o Bolero do Ravel no planeta. São equipamentos de som instalados à margem do Rio, que por acaso é chamado de Praia do Jacaré, a reverberar o seu sopro todos os dias da semana, todos os meses do ano. E quando o sol finalmente vai embora, ele se atraca em algum barco visitante para tocar a Ave Maria das 18h. É ou não é lindo demais?
Como nem tudo são raios de sol, a infra estrutura deixa a desejar. Uma feirinha de artesanato e artigos regionais fica logo na margem do rio, convidativa aos nativos e turistas inebriados pelo espetáculo. E como toda boa lombra, saímos comprando e consumindo roupinhas, imãs de geladeira, comidinhas regionais e uma série de miscelâneas retrôs, sem ligar muito para o mal cheiro do local e para o desconforto do estacionamento escuro, longínquo e pago! R$3,00. Ainda vale muito a visitação.

Imagem retirada do Google Imagens

Fomos jantar na Temakeria Sukasa, no Jardim Oceania, em frente ao Guaiamum Gigante, barzinho que não visitamos mas que eu amei pelo nome! Recomendo qualquer temaki que você pedir, porque eu pedi o Spicy mas fiquei invejando o pedido da mesa à direita, o pedido da mesa à esquerda e todos os pedidos que passavam nas bandejas dos garçons, muito educados e receptivos. Quero voltar lá com muita fome e muito dinheiro. E sem estar de dieta.
Quero voltar a João Pessoa muitas vezes. Voltar ao meu passado quantas vezes puder, voltar a todos os momentos maravilhosos que dividi com Tatiane Doria e sua maravilhosa família neste pernoite. Aliás, gostaria de deixar meu agradecimento especial a todos eles, por não terem me deixado passar o dia com os pés no puff da varanda do hotel.

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