A caixa do céu

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Muitos prazeres cabem numa caixa. Chocolate, acordes de guitarra, presente de Natal, o céu ao amanhecer, acima das nuvens.
O céu cabe numa caixa em formato oval. Ele vem com raios que iluminam mais que o dia, alimenta mais que a necessidade de oxigênio e não é lar somente para os pássaros.
Ele vem em instantes, breves e estonteantes. Doses homeopáticas de “obrigado”, de sorriso e de um leve despertar. Um algodão doce aveludado com gosto de paz.
A caixa é feita de policarbonato, que nos blinda contra seu conteúdo. Eu estou fora da caixa, o céu é que está dentro, mas eu não posso acessá-lo, nem posso comê-lo.
Sua infinidade, que eu costumava vislumbrar por entre prédios numa constatação aturdida de que a terra é redonda como nos livros de ciência, de tanto que olhava para cima e ficava tonta, agora posso vislumbrar numa diferente perspectiva. Não de baixo para cima. Não mais nauseada.
A caixa que persigo me levou à altura do seu conteúdo. Vejo-o de lado, enquanto estou subindo a seu encontro. Ainda assim, a caixa nos separa. Ainda bem.

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Sobre Lídia Dourado

Uma Comissária apaixonada pelo que faz.

2 comments on “A caixa do céu

  1. Lindo texto!

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