Comissário de Voo: Agente de Segurança a Bordo

Fonte: http://www.corbisimages.com

Para quem acompanha a aviação de maneira mais amadora, já não é novidade que a função primordial do Comissário (a) a bordo é a de agente de segurança. Segundo a lei 7.183, de 05 de Abril de 1984, o Comissário de Voo é auxiliar do Comandante, encarregado do cumprimento das normas relativas à segurança e atendimento dos passageiros. Todas as medidas de segurança que vemos no interior das aeronaves, comumente interpretadas como mera obrigatoriedade e encaradas com certo aborrecimento por alguns passageiros (como retornar o encosto da poltrona para a posição vertical e desligar os equipamentos eletrônicos) são as normas a qual se refere a lei.

Trago essa questão hoje para você: O que motiva uma visão turva da nossa função a bordo por parte do passageiro e muitas vezes até entre colegas pilotos, mecânicos, controladores, aviadores em geral? A quê se deve o fato do Comissário (a) ainda ser visto como atrativo visual dos voos, figurantes naquele contexto, responsáveis unicamente pelo conforto dos clientes “pagantes”?  A grande verdade é que somos todos atores coadjuvantes de uma grande estrela e protagonista: A SEGURANÇA DE VOO.

http://www.corbisimages.com

O Brasil é hoje um dos países mais seguros para voar no mundo! Quando dizemos isso, nossa autocrítica afiada nos faz recordar imediatamente do Caos Aéreo, de acidentes fatídicos e dolorosos da nossa história e das infraestruturas aeroportuárias precárias que encontramos pelo Brasil a fora. Sim, isso tudo deve ser lembrado todos os dias, mas não estabelecemos a mesma medida com relação aos milhares de voos diários que são realizados com total segurança, à eficiência dos profissionais da aviação na manutenção e preservação do cumprimento das normas.

Uma grande evolução em termos de Segurança de Voo no nosso país foi a criação do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SIPAER). Trata-se de uma filosofia, uma linha de conduta que se estabeleceu através de muito estudo e que visa a conscientização e prevenção no tocante à acidentes aeronáuticos. O SIPAER conta com órgãos e profissionais integrados como elos para minimizar, zerar os acidentes e incidentes na atividade aérea. Com o trinômio “o Homem, a Máquina, o Meio”, esta doutrina elucida aspectos importantes para a prevenção dos acidentes, através dos precedentes gerados por relatos registrados de acidentes anteriores. Determina também as diretrizes que envolvem a investigação dos acidentes aeronáuticos sempre, mas SEMPRE mesmo, buscando a prevenção de novos acidentes e nunca apontar um culpado por eles.

Fonte: http://www.corbisimages.com/ Site Cenipa

Acredito que esta seja a grande sacada do SIPAER: Tratar da investigação de acidentes aeronáuticos de maneira NÃO PUNITIVA, mas com o objetivo de esclarecer os fatores contribuintes que levaram ao acidente e, principalmente, elaborar recomendações de segurança que tornem ainda mais segura a aviação civil e também a militar.

Nós, comissários de bordo, somos também elos desta corrente. E agimos de forma crucial, checando sempre as condições dos nossos equipamentos, verificando se o passageiro está cumprindo com suas obrigações com relação à preservação da sua própria segurança e de todos na aeronave, auxiliando Comandante e Co-piloto sendo os olhos, braços, pernas, nariz e voz deles (ou seja, todos os sentidos) diante dos passageiros.

Costumo dizer que o corpo não é nada sem a cabeça, assim como a cabeça não é nada sem o corpo (meio óbvio? Risos). Se a tripulação técnica é o cérebro do voo, nós, “trip” de cabine de passageiros, somos o corpo, sentidos e coração. Vamos cada vez mais nos comprometer com a erradicação de acidentes e incidentes, eliminando fatores que possam contribuir para que o pior aconteça, conscientizando a todos através da nossa postura como agentes de segurança a bordo.

Bons voos (e seguros)!!!!

Ps: O Cenipa é o órgão central do SIPAER. Clicando AQUI você acessa o site e fica sabendo um pouco mais sobre Segurança de Voo (matéria que cai na prova da Anac, heim!).

  • 0

    Avaliação geral

  • Avaliação dos leitores:0 Votos

Compartilhar

Sobre Lídia Dourado

Uma Comissária apaixonada pelo que faz.

Você também pode gostar de

12 comments on “Comissário de Voo: Agente de Segurança a Bordo

  1. muito bom o seu blog, assim como sua aula, sorte e sucesso!
    ASS: Fernanda silva (sua aluna do curso aeronautas)

  2. Gostei muito do Blog. Continue assim.

  3. Só lembrei da sua aula de segurança de voo agora!!!!! *_____________________* Muito bom o post como sempre!!

    Bons Voos!
    Beijos

  4. opa, muito obrigada pelas respostas :). ficou tudo bem mais claro mesmo.
    agora, o comentário do cinto abdominal : entao nao deveria também ter o outro cinto?

  5. Muito bom!!!!! 🙂

  6. Amiga fazendo sucesso!!! Felicidades!!!

  7. Oi Lídia! Aproveitando o post, uma curiosidade que sempre tive (e, pensando aqui, talvez se outr@s também soubessem se dedicassem mais a cumprir): por que devemos retornaro encosto da poltrona na decolagem? tenho uma hipótese mas acho que é algo mais profundo do que imaginei hehe

    • Eu acredito que deve rotornar o encosto em pousos e docolagens pois essas são as partes mais criticas do voo e em caso de emergência e de uma possivel evacuação a passagem não estaria obstruida para a pessoa que esta no assento de tras, agilizando assim a evacuação.

      Imagino que seja isso, me corrijam se estiver errada!!

      Gostaria de aproveitar e dar uma sujestão de post. Gostaria que vc falasse a respeito do idioma. Se foi exigido quando vc entrou na empresa aérea, se você utiliza outras linguas no dia a dia como comissária e como você estuda trabalhando com escalas.
      Lídia gostei muito quando vc gravou o post em video, pretende gravar mais videos??

      Um grande beijo Lídia, está cada dia melhor seu blog.

    • Minha querida Julia. Devemos deixar o encosto da poltrona na posição vertical para evitar obstruir a passagem dos outros passageiros em caso de evacuação rápida. O encosto na posição vertical também evita, em caso de desaceleração rápida da aeronave, que o corpo do passageiro “escorregue” por baixo do cinto. Aliás o cinto abdominal não é o ideal, nem para carros, imagine para um passageiro dentro de uma aeronave acelerando para deixar o solo. Estamos falando de uma desaceleração de quase 300 Km/h para zero em poucos segundos. É coisa demais!
      Espero ter ajudado.

      • Isso aí, Netho! A Jéssica também pontuou muito bem a necessidade do retorno da poltrona para a posição vertical.

        Tem mais um detalhezinho também. Em caso de desaceleração, pelo princípio da inércia (lembram? Física? Uó! Pois então!) seu corpo tende a permanecer no lugar em que está durante segundos, o que gera aquele efeito de ir pra frente e voltar. Como disse o Netho, uma desaceleração a 300 km por hora é muito brusca. Estando sua poltrona reclinada, seu corpo irá percorrer para frente uma distância maior do aquele que está com a poltrona na posição vertical. A coluna vai “chicotear”, para frente e para trás, o que pode ocasionar sérias lesões e fratruras, né?
        Aí, no bom e velho português, “baubau” coluna, adeus pescoço, tchau vida!

        Peguei pesado? Tá vendo como é importante?
        Bjo Julinha!

Deixe uma resposta