Fumo a bordo – Como os Comissários devem agir?

Antigamente, era muito comum ter uma parte da aeronave destinada aos passageiros fumantes. Naquela época, se convivia com a atmosfera impregnada de fumaça de cigarro com naturalidade e fumar num ambiente fechado não era proibido, inclusive no avião. Até que um dia, uma bituca de cigarro na lixeira do banheiro derrubou um Boeing 707, deixando 123 mortos próximo de Orly, na França.

Desde então, muitos estudos se intensificaram no intuito de tornar o fumo a bordo proibido, para evitar a todo custo uma das emergências mais perigosas que pode acontecer em vôo, que é o fogo incontrolável.  Como a cabine pressurizada fica repleta de oxigênio, um dos elementos para que ocorra a reação em cadeia resultante no fogo, uma aeronave pode ser totalmente tomada pelas chamas em apenas dez minutos. O “plus” é o combustível que fica nas asas.

Os banheiros dos aviões foram equipados com detectores de fumaça e possuem ainda cinzeiros no intuito de evitar que possíveis transgressores depositem o cigarro ainda aceso em cestos de lixo com papel (combustível do tipo A). Quando os passageiros embarcam, escutam os comissários repetindo expressamente que “é proibido fumar a bordo” e os sinais luminosos cortam um cigarrinho aceso ao meio, para lembrá-los da lei.

Ainda assim, alguns passageiros insistem em burlar esta regra tão importante em nome de um incontrolável desejo. Muitos sopram a fumaça no vaso sanitário e dão descarga, esperando que ela se dissipe. Porém, os detectores atuais são muito sensíveis e podem ser acionados até mesmo com o uso de um simples spray de cabelo.

A nossa conduta, como comissários de vôo, nestas situações, é manter a calma para informar com firmeza que este tipo de infração é crime inafiançável, com reclusão de dois a cinco anos, segundo o Artigo 261 do Código Penal Brasileiro e comunicar ao Comandante o ocorrido para dar prosseguimento aos devidos procedimentos de desembarque do passageiro.

Fumar a bordo é expor ao perigo uma aeronave com muitos sonhos, projetos, famílias, negócios e histórias. Esta consciência, todos devem desenvolver e disseminar, com a mesma importância que se dá às outras normas da aviação, pois todas elas têm o intuito de reduzir ou erradicar os riscos de um acidente aeronáutico.

A responsabilidade pela segurança de vôo é de todos aqueles cuja intenção é chegar bem ao seu destino final e ouvir um simpático “até o próximo vôo” da Comissária de bordo.

 

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