Manual Prático de uma Viagem Solitária

Quando se está viajando sozinha, muitas pessoas te perguntam o porquê. O por quê de largar a rotina de trabalho, de contas a pagar, de plantas a regar, de cachorro para alimentar e da família, para estar numa aventura pelo mundo: Sozinha! Além disso, tem a inevitável condição de ser mulher, parece que, por isso, não se é capaz de ser feliz independente de um grupo de amigas para tomar uma caneca de cerveja, de um par romântico para apreciar um mirante ou dos seus pais para se entupir de compras. O que as pessoas de fato não compreendem é que uma viagem não precisa ser extremamente divertida, nem de aventuras amorosas, não precisa ser repleta de esportes radicais, de comidas boas. Uma viagem serve para transcender limites, em todos os sentidos.  De dentro para fora.

Numa viagem sozinha, as fotos não saem o que se espera de fotos de viagem, cheias de inteligentes técnicas, óticas artísticas e poses impactantes, porque não se tem alguém que tire as fotos planejadas para que você pareça mais bonita do que é. Você simplesmente tira fotos para se lembrar de como foi o seu dia. Registra o momento pra você ou no máximo irá mostrar para alguém de quem lembrou no momento do clique.

Numa viagem sozinha, você tem que tecer comentários para você mesma sobre o que vê, mas não se preocupa muito com o julgamento de quem está ao seu redor, mesmo que você esteja falando no meio da rua, como uma louca, sobre suas impressões daquela exposição. Na realidade, você nem deseja uma conversa com um interlocutor. Um papo que dure mais de dez minutos para além de uma informação sobre um bom restaurante barato já pode lhe tomar um tempo precioso do almoço e da sua doce e satisfatória companhia.

Numa viagem sozinha, você precisa definir o que fazer com o seu tempo, sem interrupções de outrem para fazer xixi, sem a preocupação de estar satisfazendo a todas as expectativas. A única expectativa é não ter grandes expectativas para o dia e se deixar levar, seja para pontos turísticos famosos, seja para a birosca cheirando a gordura que serve o melhor e mais murcho bolinho de bacalhau com vinho do Porto que você já comeu.

Numa viagem sozinha, você aprende a se perder e não se desesperar. Aprende a pedir informações na sua língua e não ofender ninguém com isso. Aprende a sorrir para senhoras na rua, aprende a lidar com um clima a que você não está acostumada, aprende a cuidar do seu dinheiro sem converter.  Aprende a vencer o medo de estar sozinha.

O que não se pode, o que é proibido mesmo, é deixar de viver. A vida é fulgural, uma hora se está, outra já não existimos mais. Ou teremos que lidar com o fardo do “Eu poderia ter vivido” para todo o resto da nossa vida. O que se tem para viver, de bom e de não tão bom, é imprescindível para que você amplie seus horizontes. As barreiras são todas transponíveis quando você simplesmente quer viver o quanto puder enquanto puder. Mesmo que esteja sozinha numa viagem.

 

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One comment

  1. Viajar sozinho é uma das melhores experiência que se pode ter, quando penso em viajar não consigo pensar em outra pessoa além de mim mesmo.

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