Pagar para usar? É só privatizar!

 

É claro que não queremos viver novamente os transtornos e o drama vividos no final de 2006 e início de 2007 com aquilo que foi chamado de Caos Aéreo. O acidente envolvendo um Boeing de uma grande companhia nacional e um jato Legacy em  Setembro de 2006 trouxe a indagação sobre as condições do transporte aéreo brasileiro, tendo sido inclusive instalada uma CPI para as devidas investigações.

Enquanto o movimento dos passageiros só crescia nos aeroportos, outros agravantes surgiam como a greve dos controladores de vôo e uma obra na pista do aeroporto de Congonhas, um dos mais movimentados do Brasil, que foi interrompida e culminou como fator contribuinte para o acidente envolvendo um imenso Airbus com 187 à bordo,  totalizando 199 pessoas sucumbindo ao fogo naquele galpão da empresa operadora da aeronave que ali colidira.

Como eu disse no post Seu Atendimento lá em Cima, estima-se a recepção de 29 milhões de passageiros em 2014 além da demanda habitual que no aeroporto de Guarulhos chegou a 30 milhões somente em 2011. E nós sabemos que mesmo depois do Caos Aéreo, pouca coisa mudou em termos de infra-estrutura aeroportuária.

Quis relembrar esses fatos para que possamos discutir a questão da privatização dos aeroportos nacionais. No dia 06 de Fevereiro, três deles tiveram sua administração leiloada, tendo sido concedida essa autorização mediante pagamento de 24,5 bilhões de reais das empresas “vencedoras” ao governo.

Este valor foi cinco vezes maior do que o valor estimado, que era de 4,45 bilhões de reais. Além disso, nos contratos de concessão existem obras e investimentos até a Copa do Mundo que somam até 16,2 bilhões nos três aeroportos. E aí me veio a pergunta: Qual o investidor que pretende operar aeroportos sem receber uma fatia gorda de lucros? Nenhum, obviamente.

Pensando e pesquisando sobre as formas de receita que eles terão que  encontrar, acabei por dar de cara com alguns precedentes das empresas que irão operar o aeroporto de Brasília e o de Campinas. Ambas tiveram problemas seriíssimos com os investimentos realizados em outros aeroportos, da Argentina e da África do Sul, respectivamente, sendo necessário o aumento considerável nos impostos cobrados às companhias aéreas e, conseqüentemente, passageiros.

Não tenho como me manifestar contra a privatização e melhoria dos aeroportos nacionais, isto seria extremamente incoerente.  Quero estacionamentos dignos, conforto e rapidez no atendimento, mais espaço para as aeronaves em suas manobras e, lógico, zero acidentes ocasionados por falhas de infra-estrutura.   Mas sempre busquei acreditar na obrigatoriedade do Estado em diversos setores de serviço à população, como estradas, escolas e aeroportos. Penso que se pagamos impostos temos que ver os resultados do nosso dinheiro investido. Mas o raciocínio não é tão simples como me parece e há muito mais entre o céu e a terra do que a nossa vã honestidade pode entender. Sabemos também que a Infraero tem condições financeiras, através das inúmeras taxas cobradas pela manutenção e abastecimento das aeronaves nas pistas.  Sem contar com as taxas de embarque. Sabemos que esse dinheiro é mal administrado e acabamos nos rendendo àquilo pelo qual pagaremos mais, mas veremos retorno.  Isto é justo? Isto é correto?

http://mulheremcrescimento.blogspot.com/

Enfim! Como eventual passageira, não deixo de me perguntar sobre o efeito que essa inflação na concessão dos aeroportos trará ao meu bolso. Será que os preços das passagens aéreas vão subir? E vocês? O que acham da privatização dos aeroportos?

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Sobre Lídia Dourado

Uma Comissária apaixonada pelo que faz.

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3 comments on “Pagar para usar? É só privatizar!

  1. Ola Lidia, tinha tempo que nao te fazia uma visita. Eu faço das palavras da Taiane as minhas. E mais uma vez obrigada pelo seu post! Espero que esteja bem! bjao Livia

  2. Olá Lídia, quanto tempo! Mais uma vez parabéns pelo post…. e concordo com a Taiane!!! bjs querida

  3. Eu sou contra qualquer tipo de privatização, mas percebi com o tempo que essa é a maneira vamos dizer, mais “eficiente” de termos melhoras no Brasil. E assim como na privatização de estradas, com certeza nos aeroportos o passageiro terá acesso a melhorias, mas isso também pesará no seu bolso.

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