Los Hermanos: Viagem em família para Argentina.

Foi uma viagem em família, portanto, daquelas que a gente tem que agradar a gregos e troianos para todo mundo sair feliz. Eu curti super a ideia de passar um tempo com os meus pais num lugar totalmente diferente, já que vivo para cima e para baixo viajando como tripulante, sozinha, por lugares que muitas vezes já conheço e sempre com limitação de horários.
Estávamos em dúvida entre ir para a Colômbia ou Argentina. Mas decidimos ir para a Argentina porque o tempo de viagem até a Colômbia nos roubaria dois preciosos dias, já que eu tinha “apenas” cinco dias de folga. Seriam três dias para aproveitar, certamente ficaríamos com gostinho de quero mais (Nota da autora: Colômbia definitivamente é um dos próximos destinos).
Pegamos um vôo em Salvador e fomos até Confins, Belo Horizonte, de onde partiu o nosso avião para o Aeroporto de Ezeiza, que fica a 40km de Buenos Aires. Ao chegarmos, saquei da bolsa meu arsenal de páginas e páginas de instruções sobre transportes disponíveis para a cidade. Conversamos ali no saguão do aeroporto sobre todas as possibilidades: Táxi, ônibus e Uber. Nos informaram erroneamente de que o Uber não estava disponível naquela região. Sorte a nossa de não acreditarmos. Fomos até a Telecom para trocar os chips dos celulares para os da Personal, uma das empresas de telefonia da Argentina. Compramos por absurdos $400 pesos, com Internet boa. Satisfatória para nós.
Quando o Uber chegou, já esperávamos um bom atendimento característico do serviço que a empresa propõe. Porém jamais imaginamos que nosso primeiro contato com os Argentinos fosse tão excepcional. O motorista do Uber, Sr. Rubem, era um senhor de meia idade que se disponibilizou a nos levar para os pontos turísticos e foi muito simpático nos explicando as peculiaridades da cidade e dando dicas valiosas.
Estávamos famintos e já era umas cinco da tarde, os restaurantes ainda não estavam servindo para o jantar e já haviam encerrado o almoço. Mas o Sr. Rubem conhecia um restaurante próximo do hotel por nome Cervante, que de fora parecia uma birosca daquelas que as pessoas costumam ir depois de um dia estressante de trabalho para tomar uma cervejinha. Devoramos uma Tira de Assado com batata frita e arroz, acompanhados de uma Quilmes bem gelada e por fim o elegemos um dos melhores restaurantes que conhecemos nesta viagem.
Chegamos ao hotel exaustos, por volta das 19h. Ficamos no Recoleta Grand Hotel, que fica no tradicional bairro Recoleta, bem central. Check In feito e subimos para o quarto no nono andar que possuía uma maravilhosa cama King Size e um confortável sofá cama. Ficamos os três neste quarto, bem instalados, confortáveis e bem acomodados. O chuveiro tinha uma graduação de temperatura diferente, que me permitiu tomar aquele banho pelando, quente pra dedéu, do jeito que eu gosto. Relaxamos.
Nos dias em que interpretamos os turistas brasileiros perdidos em terras hermanas, visitamos a casa rosada (que tem uma cor mais para o salmão), a praça 9 de Maio, onde as mães fizeram protestos contra o sumiço dos seus filhos em tempos duros de ditadura e o maravilhoso bairro de San Telmo, com suas feiras de antiguidade e restaurantes acolhedores. Fiz questão de conhecer o museu do Che Guevara, único na Argentina, embora Che fosse Aregntino, não há grandes menções há ele, tanto quanto em Cuba. Na verdade era uma loja de antiguidades, quinquilharias e fotos empoeiradas. O Sr. Eládio Gonzalez, idealizador do museu, conviveu com um amigo íntimo do Che Guevara e ele era, de longe, a maior relíquia daquele lugar, contando histórias fantásticas sobre o herói da revolução cubana. Fomos também ao estádio do Boca Juniors, onde há um museu que retrata a história e a obsessão dos torcedores deste time. Cada imagem, um arrepio. Tiramos fotos no gramado e no vestiário. Foi demais! Neste dia tivemos uma experiência não muito interessante no restaurante que fica em frente ao estádio, onde pedimos uma carne, linguiça, pão e cerveja e fomos atendidos por um rapaz sobrecarregado com tantos pedidos e naturalmente, mal humorado. A refeição não foi satisfatória e chegamos a conclusão de que ali era um excelente lugar para pedir um choripan, uma cerveja e ir assistir o jogo, e não um lugar para sentar em família.

 

Estádio La Bobonera – Argentina

Não poderíamos deixar de conhecer Porto Madero, mas como fomos numa quinta-feira, nos pareceu um local entediante e escuro, com pouca movimentação fora dos restaurantes. Entramos num restaurante de massas que parecia concentrar todas as pessoas da localidade. E havia uma explicação para isso: Disseram-nos que era o melhor restaurante de massas de Buenos Aires. Mas não desanimamos, pois havia outra filial na próxima quadra, certamente menos cheia. E lá tivemos um jantar pomposo e delicioso por 3.000 pesos, constatando a fama do lugar.
Para finalizar, resolvemos que o ver um show de tango seria imprescindível. Mas os nativos nos recomendavam fortemente que, ao invés de irmos ao show de tango que é voltado para turistas, deveríamos ir a uma escola de tango e também clube de dança chamado “La Viruta”. Melhor dica, impossível. O local fica no subsolo de um prédio baixo, no bairro de Palermo. Pagamos 150 pesos por pessoa para entrar e reservamos uma mesa próxima da pista de dança. Lá já estavam as turmas de tango, de rock’n roll e de milonga, treinando os passos. Pessoas jovens, idosas e muito idosas trocavam de parceiros de dança. Por fim, arrisquei uns passos de tango com um senhorzinho que levou umas pisadas nos pé, tadinho! Entretanto, quando pedi desculpas pela involuntária agressão física, ele respondeu galanteador: “Uma dama nunca pede perdão”.
Argentina é um lugar encantador, com pessoas ora estressadas, ora solícitas, que são muito diferentes de nós. Foram colonizados de maneira diferente, por povos de uma cultura diferente e o portunhol funciona, só que de maneira impaciente. Somos diferentes deles sim, unidos apenas por um bloco de terra próximo ao atlântico e uma inevitável aliança político-econômica. Ainda assim, há aquele clichê de irmandade que paira de alguma maneira. Talvez sejamos um para o outro aquele irmão cheio de diferenças incômodas, mas que amamos por ser família… e por ser nosso irmão.

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4 comments on “Los Hermanos: Viagem em família para Argentina.

  1. Muito legal! Os Argentinos são muito receptivos e tratam os brasileiros muito bem. Existe muita coisa para conhecer lá. Principalmente as cataratas do lado Argentino e a região de Jujuy. Vá conhecer as cordilheiras é o deserto de sal.

    • Obrigada pelas dicas valisas, Daniel! Irei sim! Um abraço!

  2. Que linda viagem Lidia. Adoro a Argentina, amei seu texto contando como tudo ocorreu… bjs linda…

    • Obrigada, Carine!
      Realmente, a Argentina é tudo de bom! Beijos.

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