Voar superando as turbulências

Não houve um só momento em que eu não acreditasse que iria voar um dia. Mesmo quando alguém afirmou que eu era uma lunática que não tinha os quesitos necessários para ser Comissária de Voo. Mesmo quando, depois de dois anos de formada no curso de Comissária, as empresas aéreas não telefonavam para me convidar para um processo seletivo. Mesmo depois de dois ou três processos seletivos fracassados, eu não cogitei seguir outro rumo, sonhar outro sonho, traçar um objetivo diferente.  Em momento nenhum eu deixei de acreditar em mim mesma.

Como devemos acreditar em nós mesmos? São muitos os obstáculos que enfrentamos em qualquer área da nossa vida para atingir a tão sonhada felicidade. E muitas vezes, felicidade são só alguns momentos em que identificamos uma alegria intensa, uma gratidão por estar vivenciando aquilo, coisas simples da vida. É preciso ter consciência de que nada é perfeito e tudo tem seus prós e contras, inclusive a trajetória para atingir um objetivo.

Conheço a histórias de comissárias que, recém-formadas no curso, foram convidada para um processo seletivo e aprovadas! Nunca havia viajado de avião e após poucos meses de trabalho, se viram numa depressão profunda e decidiram que não queriam mais voar.  Talvez o que tenha faltado foi acreditar seriam capazes de transcender o glamour aparente e vivenciar o dia a dia da profissão, com os prós e os contras que esse dia a dia apresenta. Precisamos ser realistas, porém positivos com relação aos nossos objetivos. Caso contrário, sempre haverá um motivo ou alguém que nos faça crer que vale mais a pena desistir.

Por quê devemos crer em nós mesmos, como a mesma fé que imputamos às religiões? Porque no fim das contas, nós somos os responsáveis pela nossa caminhada e precisamos tirar forças sobrenaturais para encontrar o nosso rumo. Depois de ser reprovada por uma grande companhia aérea num processo seletivo, eu busquei cursos de qualificação e um trabalho temporário que me oferecesse experiência com o público. Trabalhei numa joalheria no shopping, onde aprendi o “ballet das mãos” para encantar os clientes, que nada mais é do que o manuseio das jóias de maneira tal que prenda a atenção dos compradores.

Hoje em dia eu uso o mesmo “ballet das mãos” para fazer a demonstração das saídas de emergência para os passageiros, que no momento de uma emergência terão como primeira reação a lembrança da imagem da aeromoça apontando firmemente por onde sair. Eu acredito que um simples “ballet das mãos” pode salvar vidas!

Não há fórmula secreta para se manter motivado e acreditando que a vitória é certa. E nem comprovação científica de que a fé move montanhas, pelo menos não de maneira denotativa, física e palpável. Mas há muitas histórias de sucesso que podem nos inspirar a ser melhores a cada dia. Nos inspirar a inspirar, que é o que eu tenho como objetivo agora.

Minha mãe sempre me disse: “Nunca desista no primeiro obstáculo”. E isso ela dizia para tudo, uma ligação perdida, uma nota baixa em matemática, aprendendo a dirigir ou simplesmente numa receita de bolo mal sucedida. São nas pequenas coisas que os sábios passam sua imensa sabedoria de vida. E assim minha mãe fez de mim uma lutadora inveterada.

Só saberemos se valeu a pena se investirmos todas as fichas nos nossos projetos e é por isso que devemos acreditar em nós mesmos. E se por acaso não der certo na primeira vez, façamos os ajustes necessário e tentemos outra vez. A frustração faz parte da história e é assim que aprendemos a lidar com as adversidades da vida. Nem sempre de vitórias se constrói um campeão. Pra chegar lá, é preciso acreditar.

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One comment

  1. Era o que eu estava precisando ler, graças a Deus encontrei esse blog, Parabéns pelo trabalho lindo aqui e no avião. <3

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